Ontem chateou-me que o Porto tivesse perdido. Chateou-me porque é o meu favorito, porque "sou dele" desde que me lembro de gostar futebol e porque achei mesmo que íamos ganhar. Como qualquer momento na vida, não me corre bem o dia quando as expectativas são defraudadas.
Quando o jogo acabou o facebook tornou-se num campo de batalha: portistas furiosos com Vítor Pereira, portistas conformados mas de orgulho ferido, portistas que declaram amor eterno e benfiquistas. Benfiquistas orgulhosos, benfiquistas genuinamente contentes. Benfiquistas habituados a terem melhores dias com as equipas rivais a perderem do que com a sua própria vitória.
Eu não sou do género "toma lá que já almoçaste" ou "somos melhores que vocês" ou "o Benfica vive do passado" e todas as coisas que nós, portistas, dizemos quando nos sentimos atacados. Sou mais do género de gozar as vitórias com os que estão comigo e de sofrer em silencio com as derrotas.
Mas nem toda a gente é assim, e o futebol é isto mesmo. Deixemo-nos de tretas. Mesmo em competições europeias ninguém torce por ninguém, a não ser pelo nosso clube. E, se torce, é porque não ferve por futebol, é porque não vibra, é porque lhe é igual ao litro.
O Porto é o Porto, e o Benfica é o Benfica. Não me interessa se são clubes portugueses. Ou imaginam um adepto do Barcelona a torcer pelo Real Madrid?
Deixemos o politicamente correcto para outras alturas, as paixões clubistas são animalescas, e portanto não precisam de razão para existirem.