Hoje achei sinceramente que os meus olhos estavam velhos, cansados e me enganavam de propósito. Penso que devo ter lido duas ou três vezes a notícia sobre o novo comentador da RTP. José Sócrates, o ex primeiro ministro, comentador político na RTP. Ainda agora acho que não é verdade. Não pode ser.
Sempre fui contra a privatização da RTP. Sempre defendi um jornalismo público, isento, capaz de servir os interesses do seu país de uma maneira justa. Sem lucros, sem salários milionários com objectivo de verdade e compromisso. Sempre achei que um país não deveria educar-se pelas estacões privadas e sim pelo serviço público. Sempre achei que o jornalismo teria um lugar relevante, e que um canal público era imprescindível.
Mas e agora? Não sei se a RTP ou Alberto da Ponte são ratazanas da troika, do governo que não explica, não fala e, cada vez mais, se enrola em estórias da carochinha. Ter Sócrates como comentador político é a mesma coisa que pôr Oliveira e Costa (ex presidente do BPN) a discorrer argumentos sobre a banca portuguesa. Ou o Relvas a falar sobre a sua experiência como estudante do ensino superior num programa dedicado ao absentismo escolar.
Dar tempo de antena a José Sócrates, numa estacão pública de televisão, para opinar sobre política, nossa ou dos outros, é patético. Roça a promiscuidade. E faz-me rir, gargalhar por dentro, com tanta estupidez junta.