Durante o fim de semana fui prestando alguma atenção às notícias mas confesso que deixei de parte a minha mania obsessiva de ler tudo quanto se passa em qualquer canto do mundo.
Achei que devia relaxar, que economia e política deviam passar para plano secundário e que o meu tempo livre seria para me distrair com tantas outras coisas que a companhia da minha prima e da cidade de Lisboa me poderiam, com toda a certeza, dar.
Fui ouvindo umas coisitas sobre o discurso do Gaspar, outras do Chipre, soube que o F.C. Porto empatou, que o Benfica ganhou, que o Real Madrid ganhou. Mas confesso que andei alienada e a única informação que eu deixava que chegasse até mim era pelas "gordas" dos jornais que ontem vi no aeroporto e os títulos dos posts no Facebook dos meus amigos mais indignados.
Confesso que me soube bem, estive perto daquele estado: quem não vê é como quem não sabe. Mas, se pudesse voltar atrás, não teria feito o mesmo, porque hoje decidi ler tudo quanto havia para ler e levei uma bofetada enorme. Tudo ao mesmo tempo, assim, sem dó nem piedade:
- os Ministros das finanças da zona euro decidem que sim, que impor uma taxa sobre todos os depósitos existentes nos bancos do Chipre, estava bem. Hoje está prevista a votação para os vários impostos extraordinários: 3% para quem tiver menos de 100 mil euros (em vez dos 6,7% previstos) e 12,5% para os que têm mais de 100 mil euros (em vez dos anteriores 9,9%). O presidente cipriota diz que escolheu a maneira menos penosa e que assume tudo o que puder vir daí.
- Gaspar já não sabe a quantas anda, o desemprego vai subir, a divída pública vai atingir valores históricos, o défice oscila entre os 4,9% e os 6% dependendo a quem se destinam os números. Mais austeridade, mais esforços e menos credibilidade a este ministro que desconfio, já não sabe a quantas anda. Depois de anunciar, bem lá ao longe, que 2 anos de austeridade chegavam, e que os esforços feitos por todos, iam compensar, Portugal continua afundado, sem ver uma forma de sair deste buraco enormesco. Citando Marcelo Rebelo de Sousa, Gaspar "parece um astrólogo" e chumbou o ano perdendo "larguissimamente a credibilidade"
- Seguro falou hoje em Castelo Branco, falou mas na verdade não disse nada: "chegou a hora da mudança", "este país só muda se mudarmos de política". Este jogo de ping pong entre partidos políticos, entre vozes de contestação e vozes de verdade, vozes de seriedade e promessas bem longinquas só com aparência no tempo são já piadas gastas. E sem graça nenhuma.
Como diria Aldous Huxley "rebolar no lodo não é, com certeza, a melhor maneira de alguém se lavar."
Costuma dizer-se que toda a criatividade exige 80% de transpiração e 20% de imaginação. Eu reformulo os cálculos na forma como vejo mundo: transpiração (leia-se mental), inspiração e um desejo enorme, mas indiscreto, de querer saber.
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segunda-feira, 18 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
As personagens de Merkel
Desde 2009 que Merkel tem ocupado o espaço mediático à volta da Europa: ou porque recusa o resgate de países em dificuldade, ou porque diz que a Grécia devia sair do euro, ou porque não queria o Banco Central Europeu a comprar dívida para que as taxas de juro baixassem, ou porque defende,
como mais ninguém que a austeridade é a única forma de sair da crise, ou porque, mais recentemente, não defende a extensão do prazo de pagamento dos empréstimos concedidos a Portugal e Irlanda.
Por uns é vista como uma espécie de Maga Patológica (a bruxa que tenta roubar a moeda nr.1 do Tio Patinhas para se transformar a mais rica do mundo) por outros como a heroína que faz o que tem que ser feito.
Opiniões à parte, a imprensa e os cidadãos, com carradas de imaginação, tranformam-na em personagens que todos conhecemos: a New Statesman define-a como um robo exterminador de olhos vermelhos; a The Economist personifica um barco chamado a economia mundial que se afunda e pergunta: Por favor, senhora Merkel, podemos ligar os motores?; um outdoor no centro de Berlim mostra uma imagem computorizada da chanceler alemã em roupa interior com o slogan: o país precisa de nova roupa interior; há até quem brinque com a roupa (sempre a mesma) que veste e sugira Merkel como a nova imagem de marca da Robbialac.
Sem um consenso de opiniões, entre teorias de bruxas, de conspiração e de salvação, deixo-vos dois artigos: A sobrevivência do euro sem a Alemanha e Why everybody loves to hate Angela Merkel and why everybody is wrong
como mais ninguém que a austeridade é a única forma de sair da crise, ou porque, mais recentemente, não defende a extensão do prazo de pagamento dos empréstimos concedidos a Portugal e Irlanda.
Por uns é vista como uma espécie de Maga Patológica (a bruxa que tenta roubar a moeda nr.1 do Tio Patinhas para se transformar a mais rica do mundo) por outros como a heroína que faz o que tem que ser feito.
Opiniões à parte, a imprensa e os cidadãos, com carradas de imaginação, tranformam-na em personagens que todos conhecemos: a New Statesman define-a como um robo exterminador de olhos vermelhos; a The Economist personifica um barco chamado a economia mundial que se afunda e pergunta: Por favor, senhora Merkel, podemos ligar os motores?; um outdoor no centro de Berlim mostra uma imagem computorizada da chanceler alemã em roupa interior com o slogan: o país precisa de nova roupa interior; há até quem brinque com a roupa (sempre a mesma) que veste e sugira Merkel como a nova imagem de marca da Robbialac.
Sem um consenso de opiniões, entre teorias de bruxas, de conspiração e de salvação, deixo-vos dois artigos: A sobrevivência do euro sem a Alemanha e Why everybody loves to hate Angela Merkel and why everybody is wrong
quinta-feira, 7 de março de 2013
Os Roteiros -silenciosos- de Cavaco Silva
O Presidente da República anunciou hoje que, no próximo dia 9, vai divulgar o texto do prefácio Roteiros VII. Diz-nos, na sua página do Facebook, que "o prefácio diz respeito ao modo como deve actuar um Presidente da República em tempos de grave crise económica e financeira, como aquela em que Portugal tem estado mergulhado nos últimos anos". - talvez conseguir não hastear a bandeira nacional ao contrário deva ser a dica número um.
No seu último roteiro ajusta contas com Sócrates pela "falta de lealdade institucional": o ex primeiro ministro esqueceu-se de avisar o Presidente da República antes de anunciar o PEC IV, que é como quem diz, e desculpem-me desde já a expressão popular, o corno é o último a saber.
Ainda em Roteiros VI podemos ler que "O Presidente da República pode exercer a sua magistratura de influências para que sejam encontradas soluções governativas estáveis e coerentes (...)" e ainda que "Acima de tudo, assumi um compromisso de proximidade com todos os cidadãos, sou presidente de Portugal inteiro, de todos os portugueses, sem excepção (...). Sei as dificuldades que atravessamos, mas tenho também presente as enormes potencialidades de que Portugal dispõe. O nosso maior potencial é humano. O nosso maior potencial são os portugueses, especialmente os jovens - os jovens que não se conformam, que aspiram a um futuro melhor."
Vai escrevendo, o nosso Presidente, para que não lhe faltem as palavras. Para que se continue a lembrar que o chefe de estado é também eleito pelo povo, que o chefe de estado, mesmo sem funções executivas directas tem de exercer um papel político activo. Não só lá atrás, não só debaixo da cortina, mas perante todos.
Não sei exactamente o que vai Cavaco Silva escrever mas, relembrando o seu último roteiro, vai continuar a ficar pelas palavras escritas e pela política de silêncios,"é mais sensato e responsável" dirigir-se directamente ao governo porque, como diz "o protagonismo mediático do Presidente da República é inversamente proporcional à sua influência".
Esta política de toca e foge, a sua insustentável forma discreta de ser , e a passividade com que diz e desdiz...
Eu peco por excesso, Cavaco Silva, por defeito.
No seu último roteiro ajusta contas com Sócrates pela "falta de lealdade institucional": o ex primeiro ministro esqueceu-se de avisar o Presidente da República antes de anunciar o PEC IV, que é como quem diz, e desculpem-me desde já a expressão popular, o corno é o último a saber.
Ainda em Roteiros VI podemos ler que "O Presidente da República pode exercer a sua magistratura de influências para que sejam encontradas soluções governativas estáveis e coerentes (...)" e ainda que "Acima de tudo, assumi um compromisso de proximidade com todos os cidadãos, sou presidente de Portugal inteiro, de todos os portugueses, sem excepção (...). Sei as dificuldades que atravessamos, mas tenho também presente as enormes potencialidades de que Portugal dispõe. O nosso maior potencial é humano. O nosso maior potencial são os portugueses, especialmente os jovens - os jovens que não se conformam, que aspiram a um futuro melhor."
Vai escrevendo, o nosso Presidente, para que não lhe faltem as palavras. Para que se continue a lembrar que o chefe de estado é também eleito pelo povo, que o chefe de estado, mesmo sem funções executivas directas tem de exercer um papel político activo. Não só lá atrás, não só debaixo da cortina, mas perante todos.
Não sei exactamente o que vai Cavaco Silva escrever mas, relembrando o seu último roteiro, vai continuar a ficar pelas palavras escritas e pela política de silêncios,"é mais sensato e responsável" dirigir-se directamente ao governo porque, como diz "o protagonismo mediático do Presidente da República é inversamente proporcional à sua influência".
Esta política de toca e foge, a sua insustentável forma discreta de ser , e a passividade com que diz e desdiz...
Eu peco por excesso, Cavaco Silva, por defeito.
domingo, 3 de março de 2013
Eu lixo, a troika lixa-se, nós lixamo-nos
Ontem houve manifestação. E houve jogo do F.C. Porto. As fotografias nas redes sociais ia alternando entre os cachecóis azuis e brancos e os cartazes pensados, criativos, carregados de mensagens: "mais vale votar no Ali Baba, assim sabes que só tens 40 ladrões", "Passos, deves-me as minhas semanadas", "grande escândalo não é Coelho...é um grande cavalo" - ah, e uma fotografia de Lisboa que afinal não era Lisboa, era uma manifestação em Istambul.
A criatividade dos portugueses é de invejar mas a nossa dívida não se paga com agências de publicidade ou com cool hunters: personificamos um país chateado, contrariado, falido e um pouco confuso.
A organização avança com números estrondosos porém difíceis de acreditar: mais de 1 milhão sai à rua. Mas afinal não será bem assim. Com a ajuda do Google maps, fotografias aéreas e alguns cálculos matemáticos é fácil discordar com este milhão (no Público de hoje contam-se os metros quadrados e os espaços vazios chegando-se a uma conclusão lógica).
Sabemos que o protesto se veste de uma expressão já conhecida por todos "Que se lixe a troika" mas eu não sei bem (ou sei perfeitamente) se todas aquelas pessoas percebem o que significa se a troika realmente se...lixasse.
Mandar lixar quem nos pôs assim parece-me legítimo, mandar lixar quem continua a querer fazer pior, também, mas mandar lixar a troika pensando que, com isso, a austeridade acaba, os empréstimos desaparecem e Portugal passa a ser aquele cantinho à beira mar plantado que um dia descobriu o mundo, não me parece lógico.
A criatividade dos portugueses é de invejar mas a nossa dívida não se paga com agências de publicidade ou com cool hunters: personificamos um país chateado, contrariado, falido e um pouco confuso.
A organização avança com números estrondosos porém difíceis de acreditar: mais de 1 milhão sai à rua. Mas afinal não será bem assim. Com a ajuda do Google maps, fotografias aéreas e alguns cálculos matemáticos é fácil discordar com este milhão (no Público de hoje contam-se os metros quadrados e os espaços vazios chegando-se a uma conclusão lógica).
Sabemos que o protesto se veste de uma expressão já conhecida por todos "Que se lixe a troika" mas eu não sei bem (ou sei perfeitamente) se todas aquelas pessoas percebem o que significa se a troika realmente se...lixasse.
Mandar lixar quem nos pôs assim parece-me legítimo, mandar lixar quem continua a querer fazer pior, também, mas mandar lixar a troika pensando que, com isso, a austeridade acaba, os empréstimos desaparecem e Portugal passa a ser aquele cantinho à beira mar plantado que um dia descobriu o mundo, não me parece lógico.
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sábado, 2 de março de 2013
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Por emigrar, sou mais portuguesa.
Irrita-me o choradinho muito chorado (perdoem-me a tautologia mas às vezes também é necessária) do português emigrante. Já disse aqui que tenho mais pena de quem quer sair e não pode, tenho mais orgulho de quem fica a tentar lutar por um país que agora está débil, cansado e triste.
Leio tudo o que há para ler sobre quem sai do ninho, sobre quem sai da zona de conforto para poder voltar, um dia. Mas escrever, explicar e contar, só o posso fazer sobre mim: e sei, e digo que custa, que os dias - uns melhores, outros piores - se equilibram uns aos outros. Mas em mim, a emigração teve um efeito curioso: além da cultura nova, das pessoas novas, dos portugueses que conheci fora de Portugal, emigrar fez-me gostar ainda mais do meu país - do mar, das tascas baratas que são boas e eu sei que são, das pessoas, das minhas ruas, dos meus sítios.
Quando estamos aí (em Portugal) achamos que os nossos políticos são os piores do mundo, que o nosso povo é o pior do mundo, que somos pequenos, brejeiros e tacanhos. Achamos que nunca vamos conseguir ir a lado nenhum, achamos que o pão, o café e a sopa são "coisas normais". Mas deixem-me dizer que não é bem assim.
Aprendi, desde que estou em Espanha, que os políticos também se podem encaixar nessa categoria dos piores do mundo, que as pessoas aqui, também estão perdidas e que as manifestações também se cantam ao som de Grandôla Vila Morena - no dia 16 de fevereiro milhares de espanhóis cantaram a letra de Zeca Afonso contra os desalojamentos, desde 2008, mais de 350 mil espanhóis receberam uma ordem de despejo, contra o desemprego que já ultrapassa os 25% e contra o orçamento de estado para 2013.
Emigrei porque não tenho espaço em Portugal, cresci aí, sou quem sou porque sou portuguesa e como diz Miguel Esteves de Cardoso "Ser português é ser capaz de se ser igual a com quem se está. Se temos uma virtude e capacidade, é essa. Temos uma costela de todas as carcaças que há no mundo." Quantas vezes não se cruzaram com estrangeiros? Pelas mais variadas razões, não interessa! E que idioma falavam? O deles. Espanhol, Inglês, Italiano, Francês, em Portugal somos primeiro o outro e depois nós.
Por estar aqui, percebi que os espanhóis não nos entendem mesmo. Não é uma questão de preguicite mental ou de territorialismo. Eles não nos percebem e ponto final. Os nossos idiomas derivam do latim, é certo, mas a língua espanhola foi-se simplificando ao longo dos anos, a nossa não. São 12 fonemas portugueses contra 5 espanhóis. E isso é maravilhoso para nós, é o que nos faz ser falantes no mundo. Ainda no outro dia, dizia-me um amigo "como é possível? Vocês escrevem "muito" mas na verdade dizem "muinto". E é verdade.
Eles (os espanhóis) são diferentes de nós em muitas coisas: são um povo mais feliz, menos saudosista, são patrióticos e acreditam que o país é feito deles e para eles. Nós somos mais do género "vai-se andando", andamos às turras uns com os outros sem saber bem para onde devemos ir. Os espanhóis têm o flamenco, cantado, alegre, com roupas coloridas, castanholas e a participação de todos os que ouvem com palmas e sorrisos. Nós temos o fado, triste, sentido, sombrio.
Sou hoje um bocadinho Álvaro de Campos "há sempre razões para emigrar para quem não está de cama".
Leio tudo o que há para ler sobre quem sai do ninho, sobre quem sai da zona de conforto para poder voltar, um dia. Mas escrever, explicar e contar, só o posso fazer sobre mim: e sei, e digo que custa, que os dias - uns melhores, outros piores - se equilibram uns aos outros. Mas em mim, a emigração teve um efeito curioso: além da cultura nova, das pessoas novas, dos portugueses que conheci fora de Portugal, emigrar fez-me gostar ainda mais do meu país - do mar, das tascas baratas que são boas e eu sei que são, das pessoas, das minhas ruas, dos meus sítios.
Quando estamos aí (em Portugal) achamos que os nossos políticos são os piores do mundo, que o nosso povo é o pior do mundo, que somos pequenos, brejeiros e tacanhos. Achamos que nunca vamos conseguir ir a lado nenhum, achamos que o pão, o café e a sopa são "coisas normais". Mas deixem-me dizer que não é bem assim.
Aprendi, desde que estou em Espanha, que os políticos também se podem encaixar nessa categoria dos piores do mundo, que as pessoas aqui, também estão perdidas e que as manifestações também se cantam ao som de Grandôla Vila Morena - no dia 16 de fevereiro milhares de espanhóis cantaram a letra de Zeca Afonso contra os desalojamentos, desde 2008, mais de 350 mil espanhóis receberam uma ordem de despejo, contra o desemprego que já ultrapassa os 25% e contra o orçamento de estado para 2013.
Emigrei porque não tenho espaço em Portugal, cresci aí, sou quem sou porque sou portuguesa e como diz Miguel Esteves de Cardoso "Ser português é ser capaz de se ser igual a com quem se está. Se temos uma virtude e capacidade, é essa. Temos uma costela de todas as carcaças que há no mundo." Quantas vezes não se cruzaram com estrangeiros? Pelas mais variadas razões, não interessa! E que idioma falavam? O deles. Espanhol, Inglês, Italiano, Francês, em Portugal somos primeiro o outro e depois nós.
Por estar aqui, percebi que os espanhóis não nos entendem mesmo. Não é uma questão de preguicite mental ou de territorialismo. Eles não nos percebem e ponto final. Os nossos idiomas derivam do latim, é certo, mas a língua espanhola foi-se simplificando ao longo dos anos, a nossa não. São 12 fonemas portugueses contra 5 espanhóis. E isso é maravilhoso para nós, é o que nos faz ser falantes no mundo. Ainda no outro dia, dizia-me um amigo "como é possível? Vocês escrevem "muito" mas na verdade dizem "muinto". E é verdade.
Eles (os espanhóis) são diferentes de nós em muitas coisas: são um povo mais feliz, menos saudosista, são patrióticos e acreditam que o país é feito deles e para eles. Nós somos mais do género "vai-se andando", andamos às turras uns com os outros sem saber bem para onde devemos ir. Os espanhóis têm o flamenco, cantado, alegre, com roupas coloridas, castanholas e a participação de todos os que ouvem com palmas e sorrisos. Nós temos o fado, triste, sentido, sombrio.
Sou hoje um bocadinho Álvaro de Campos "há sempre razões para emigrar para quem não está de cama".
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Mourinho arrasa em Camp Nou.
Mourinho é o maior e, quem disser o contrário, queria ser tão bom como ele ou sofre de cegueira futebolística.
Começou a ser especial no Futebol Clube do Porto mas quis ser maior. Na sua apresentação no Chelsea em 2004 diz: "se quisesse um trabalho fácil tinha ficado no FC Porto, confortavelmente sentado, com o troféu da champions, Deus e depois eu".
Hoje tem 20 títulos: 6 em Portugal, 6 em Inglaterra, 5 em Itália e 3 em Espanha. 17 nacionais e 3 internacionais.
Ontem voltou a fazer história.
Dois anos e meio depois de chegar ao Real Madrid, José Mourinho, devorou o Barça em Camp Nou.
Foi uma vitória vossa e nossa.
Vossa, dos espanhóis, dos madrilistas.
Nossa porque somos portugueses, porque a besta afinal não é assim tão besta. Nossa porque Cristiano Ronaldo arrasou em casa do Messi.
Com ou sem mau feitio, José Mourinho é líder, ganhador e lutador. Tem capacidade de ver mais longe, colecciona adeptos de um lado e ódios de estimação do outros mas como ele mesmo diz: "é melhor ter inimigos para nunca relaxar" e "nem Jesus Cristo agradava a todos".
Começou a ser especial no Futebol Clube do Porto mas quis ser maior. Na sua apresentação no Chelsea em 2004 diz: "se quisesse um trabalho fácil tinha ficado no FC Porto, confortavelmente sentado, com o troféu da champions, Deus e depois eu".
Hoje tem 20 títulos: 6 em Portugal, 6 em Inglaterra, 5 em Itália e 3 em Espanha. 17 nacionais e 3 internacionais.
Ontem voltou a fazer história.
Dois anos e meio depois de chegar ao Real Madrid, José Mourinho, devorou o Barça em Camp Nou.
Foi uma vitória vossa e nossa.
Vossa, dos espanhóis, dos madrilistas.
Nossa porque somos portugueses, porque a besta afinal não é assim tão besta. Nossa porque Cristiano Ronaldo arrasou em casa do Messi.
Com ou sem mau feitio, José Mourinho é líder, ganhador e lutador. Tem capacidade de ver mais longe, colecciona adeptos de um lado e ódios de estimação do outros mas como ele mesmo diz: "é melhor ter inimigos para nunca relaxar" e "nem Jesus Cristo agradava a todos".
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
A crise e o sexo. E as Cinquenta Sombras de Grey
E.L.James não é Kakfa, não é Gabriel García Marquez e não é Saramago. A verdade é que o primeiro volume (dos três que escreveu) pode ser descrito em poucas frases: uma menina tonta, virgem, que conhece o solteirão mais cobiçado do momento. De virgem, a menina Steele, Ana ou Anastacia, passa a ter orgasmos múltiplos, a ter uma "Deusa interior", a gostar de apanhar e estar amarrada. São 500 (e algumas) páginas carregadas de sexo e bondage.
E.L.James não vai ser prémio nobel mas está naquela lista da Times, a que mostra ao mundo as pessoas mais influentes de um determinado ano. As Cinquenta Sombras de Grey foi, segundo a GFK, o livro mais vendido em Potugal em 2012. Está também na lista dos livros proibidos pela Opus Dei, com a classificação LC3 - "pelos seus conteúdos explicítos, a obra contraria a fé ou a moral católica, dirige-se contra a igreja e suas instituições" - lado a lado com Caim e o Evangelho Segundo Jesus Cristo de José Saramago. (www.almudi.org)
Foi este livro que realmente mudou a consciência sexual da nossa sociedade? A Sábado desta semana diz que sim. O Expresso diz que não. Vamos por partes.
Um estudo feito pelo Expresso em 2012 diz que o missionário é a posição preferida pelos portugueses: 38,5%, de norte a sul, prefere o convencional. Muitos são capazes de passar semanas sem relações sexuais e mesmo quando o tema é picante, a culpada é sempre a mesma - a crise. 16% dizem que a falta de dinheiro, de trabalho e as contas para pagar afectaram negativamente a sua vida sexual. A revolução sexual do século XXI está a ser adiada, primeiro o dinheiro, depois a libido.
Já a revista Sábado contrapõe tudo isto. Mas aponta uma causa: o livro As Cinquenta Sombras de Grey. Um inquérito que esteve on-line durante uma semana revela que as portuguesas estão mais apimentadas: no elevador, em locais públicos, de olhos vendados, a três, spanking, amordaçada, são alguns dos fetiches escolhidos pelas que responderam ao inquérito. Os donos das lojas sex shop dizem que a venda de bolas chinesas cresceu 200% e porque não há coincidências, o site britânico netmums.com, fez uma sondagem onde mostra que depois da trilogia a periodicidade com que os casais têm sexo, passou de uma para três vezes por semana.
"Porno para mamãs" para umas e "Viagra feminino sem prescrição" para outras, este livro veio chamar a atenção para um dos temas mais tabu da nossa sociedade.
E.L.James não vai ser prémio nobel mas está naquela lista da Times, a que mostra ao mundo as pessoas mais influentes de um determinado ano. As Cinquenta Sombras de Grey foi, segundo a GFK, o livro mais vendido em Potugal em 2012. Está também na lista dos livros proibidos pela Opus Dei, com a classificação LC3 - "pelos seus conteúdos explicítos, a obra contraria a fé ou a moral católica, dirige-se contra a igreja e suas instituições" - lado a lado com Caim e o Evangelho Segundo Jesus Cristo de José Saramago. (www.almudi.org)
Foi este livro que realmente mudou a consciência sexual da nossa sociedade? A Sábado desta semana diz que sim. O Expresso diz que não. Vamos por partes.
Um estudo feito pelo Expresso em 2012 diz que o missionário é a posição preferida pelos portugueses: 38,5%, de norte a sul, prefere o convencional. Muitos são capazes de passar semanas sem relações sexuais e mesmo quando o tema é picante, a culpada é sempre a mesma - a crise. 16% dizem que a falta de dinheiro, de trabalho e as contas para pagar afectaram negativamente a sua vida sexual. A revolução sexual do século XXI está a ser adiada, primeiro o dinheiro, depois a libido.
Já a revista Sábado contrapõe tudo isto. Mas aponta uma causa: o livro As Cinquenta Sombras de Grey. Um inquérito que esteve on-line durante uma semana revela que as portuguesas estão mais apimentadas: no elevador, em locais públicos, de olhos vendados, a três, spanking, amordaçada, são alguns dos fetiches escolhidos pelas que responderam ao inquérito. Os donos das lojas sex shop dizem que a venda de bolas chinesas cresceu 200% e porque não há coincidências, o site britânico netmums.com, fez uma sondagem onde mostra que depois da trilogia a periodicidade com que os casais têm sexo, passou de uma para três vezes por semana.
"Porno para mamãs" para umas e "Viagra feminino sem prescrição" para outras, este livro veio chamar a atenção para um dos temas mais tabu da nossa sociedade.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Novo hit português
António Almeida, no Diário Económico, escreveu que "Em democracia, ter opinião é mais uma obrigação do que um direito. Não ter medo de dizer alguns disparates não representa um acto de coragem. O que não ajuda o país são os silêncios de conveniência".
Nunca tive feitio para me calar convenientemente, os que me conhecem costumam apelidar-me de mau feitio, mas confesso que pensei várias vezes antes de escrever sobre aquilo que vou escrever: Relvas, ISCTE e Grândola Vila Morena.
Li opiniões, comentários e insultos nos mais variados meios de comunicação portugueses e a verdade é que estou a meio caminho (talvez faça mesmo parte da zona cinzenta onde tanto detesto estar). A questão é que não consigo (por mais que tente) ter uma só opinião, ver só um lado, porque acredito na liberdade de expressão e sou contra a violência organizada, ao mesmo tempo, defendo que a estupidez gratuita e a falta de bom senso deveriam ser punidas de alguma forma maravilhosamente imaginada.
Relvas é um erro de casting, continua a fazer parte de um governo cada vez mais desfragmentado e o sorriso que teimosamente exibe deixa-me com os nervos à flor da pele. A TVI, por seu lado, continua a dar espectáculo, daquele que o povo português adora ver, comentar e falar. Aqui entra a estupidez gratuita: ora, um ministro que tem um licenciatura dúbia, que tem mais piadas escritas sobre si do que o mais palhaço dos palhaços, é nada mais nada menos, convidado a falar numa conferência sobre jornalismo - uma conferência, numa faculdade carregadinha de alunos fartos. Fartos de ali estarem sem saberem para onde vão a seguir.
Os insultos, os berros, a perseguição dos estudantes fez-me ter vergonha. Este movimento "que se lixe a troika" conseguiu que Grândola Vila Morena voltasse aos hits portugueses mas a falta de civismo vai lixa-los e eles, é este o efeito boomerang.
Sinceramente não me preocupa a popularidade de Relvas e menos ainda as audiências da TVI. Preocupa-me o que vem a seguir: manifestações, mais, maiores e mais feias, e um governo que está como eu, a meio caminho, nem no branco nem no preto.
Nunca tive feitio para me calar convenientemente, os que me conhecem costumam apelidar-me de mau feitio, mas confesso que pensei várias vezes antes de escrever sobre aquilo que vou escrever: Relvas, ISCTE e Grândola Vila Morena.
Li opiniões, comentários e insultos nos mais variados meios de comunicação portugueses e a verdade é que estou a meio caminho (talvez faça mesmo parte da zona cinzenta onde tanto detesto estar). A questão é que não consigo (por mais que tente) ter uma só opinião, ver só um lado, porque acredito na liberdade de expressão e sou contra a violência organizada, ao mesmo tempo, defendo que a estupidez gratuita e a falta de bom senso deveriam ser punidas de alguma forma maravilhosamente imaginada.
Relvas é um erro de casting, continua a fazer parte de um governo cada vez mais desfragmentado e o sorriso que teimosamente exibe deixa-me com os nervos à flor da pele. A TVI, por seu lado, continua a dar espectáculo, daquele que o povo português adora ver, comentar e falar. Aqui entra a estupidez gratuita: ora, um ministro que tem um licenciatura dúbia, que tem mais piadas escritas sobre si do que o mais palhaço dos palhaços, é nada mais nada menos, convidado a falar numa conferência sobre jornalismo - uma conferência, numa faculdade carregadinha de alunos fartos. Fartos de ali estarem sem saberem para onde vão a seguir.
Os insultos, os berros, a perseguição dos estudantes fez-me ter vergonha. Este movimento "que se lixe a troika" conseguiu que Grândola Vila Morena voltasse aos hits portugueses mas a falta de civismo vai lixa-los e eles, é este o efeito boomerang.
Sinceramente não me preocupa a popularidade de Relvas e menos ainda as audiências da TVI. Preocupa-me o que vem a seguir: manifestações, mais, maiores e mais feias, e um governo que está como eu, a meio caminho, nem no branco nem no preto.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Tomamos todos
Francisco José Viegas, ex secretário de estado, garantiu que ia "mandar tomar no cú" qualquer fiscal que queira ver as facturas das despesas que realizou. Quer seja "à saída da loja, um café, um restaurante ou um bordel".
Isto foi das declarações mais reproduzidas e comentadas na imprensa portuguesa. Uns aplaudiram outros ficaram furiosos pelo facto de alguém que já ocupou um cargo político de relevância diga tais impropérios. Quanto a mim, bem, imagino o que será, o ex governante da cultura, no balcão da recepção de um bordel, à espera que a sua factura descriminada seja emitida. E que o dito papel que obriga os comerciantes a pagar IVA termine com um "volte sempre" ou "nascemos para servi-lo" ou "cliente satisfeito, o nosso lema".
Expressão brasileira e medidas portuguesas à parte, a minha vontade é também, a maior parte das vezes, mandar os nossos governantes tomar (ou levar) no dito cujo mas de polémicas idiotas em polémicas idiotas, esta lei já existe desde 1989. E se o consumidor deve pedir factura ou se são os comerciantes obrigados a emitir é uma questão de responsabilidade (a de cada um) e de lei (de alguns).
Isto foi das declarações mais reproduzidas e comentadas na imprensa portuguesa. Uns aplaudiram outros ficaram furiosos pelo facto de alguém que já ocupou um cargo político de relevância diga tais impropérios. Quanto a mim, bem, imagino o que será, o ex governante da cultura, no balcão da recepção de um bordel, à espera que a sua factura descriminada seja emitida. E que o dito papel que obriga os comerciantes a pagar IVA termine com um "volte sempre" ou "nascemos para servi-lo" ou "cliente satisfeito, o nosso lema".
Expressão brasileira e medidas portuguesas à parte, a minha vontade é também, a maior parte das vezes, mandar os nossos governantes tomar (ou levar) no dito cujo mas de polémicas idiotas em polémicas idiotas, esta lei já existe desde 1989. E se o consumidor deve pedir factura ou se são os comerciantes obrigados a emitir é uma questão de responsabilidade (a de cada um) e de lei (de alguns).
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
De pernas para o ar
Chateia-me e chateia-me cada vez mais. Ter amigos que não têm trabalho, ter amigas que têm trabalho mas que não sabem se o têm ou se é só emprestado. Chateia-me a perda de tempo em entrevistas que desanimam, que diminuem, que prometem e não cumprem. Chateia-me esta história da emigração por obrigação, da Páscoa fora de casa, do Natal "logo se verá". Chateia-me a experiência exigida e a experiência que não existe, como se fosse uma ferramenta daquelas sem fim.
Chateia-me o trabalho não remunerado, chateia-me a vontade de trabalhar não remunerada, o bom trabalho não remunerado.
Chateia-me a sério que os que trabalharam toda a vida não o possam agora fazer.
Mas irritam-me mais os que trabalham e não sabem bem porque o fazem, os que se queixam, os que querem rendimentos e subsídios, e ajudas, e baixas, e dores aqui e ali. Os que trabalham com direitos mas sem deveres. Os que estão mas não deviam estar mas não é possível manda-los embora para irem os que realmente querem.
Irrita-me porque não, não somos todos iguais. Não confundamos justiça com igualdade.
Chateia-me o trabalho não remunerado, chateia-me a vontade de trabalhar não remunerada, o bom trabalho não remunerado.
Chateia-me a sério que os que trabalharam toda a vida não o possam agora fazer.
Mas irritam-me mais os que trabalham e não sabem bem porque o fazem, os que se queixam, os que querem rendimentos e subsídios, e ajudas, e baixas, e dores aqui e ali. Os que trabalham com direitos mas sem deveres. Os que estão mas não deviam estar mas não é possível manda-los embora para irem os que realmente querem.
Irrita-me porque não, não somos todos iguais. Não confundamos justiça com igualdade.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Pati Ulrich, pati!
Hoje, o Expresso (benditas aplicações no telemóvel que me permitem ver o que se passa por aí) solta um artigo engraçado ao relembrar as palavras do CEO do BPI. Um artigo não muito destacado: relembrem-se que Ulrich trabalhou com Pinto Balsemão.
"Se os sem abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?"
Antes de escrever o que penso (viva a democracia e o morto poder do lápis azul) fui dar uma olhadela e tentar encontrar a etimologia da palavra aguentar (a origem das palavras diz-nos mais do que podemos imaginar).
Vejamos:
Aguentar: deriva da palavra paciência, pati lt., aguentar, sofrer.
Ora, paciência e água benta cada um toma a que quer (não será bem assim - presunção? - mas o blog é meu). Não me parece de todo apropriado ignorar as palavras deste senhor que sempre foi controverso nas suas próprias opiniões, mas também não vou chamar-lhe "grande anormal" e coisas parecidas como os comentadores anónimos no site do Expresso.
Aquilo que me faz vir aqui, fritar o cérebro e chatear alguns de vocês que estavam à espera da minha coscuvelhice diária é (não) ter a certeza de que este senhor se apercebe de que forma afecta a moral dos portugueses: os sem abrigo, os não sem abrigo e os futuros sem abrigo. (Podia falar dos lucros do bpi, da forma como isso afectou a nossa dívida e a confiança dos mercados, mas não o sei fazer e para isso servem os blogues de economia).
"(...) infelizmente encontramos pessoas que são sem abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim, porquê?"
Eu não sei com a certezinha absoluta, mas desconfio.
A mim pode, claro, a minha conta poupança é inexistente, não posso contar com grandes heranças e o futuro do jovens é incerto.
O salário base médio dos portugueses ronda os 840€. Portanto também pode acontecer.
A si? Bem sabemos que os bancos que se financiam na banca viram os salários de alguns dos seus trabalhadores serem reduzidos. É o seu caso. E isso é um facto. Foram 50%. E isso significa em números reais, menos 18 mil euros.
Os números (mesmo para mim) são fáceis de entender.
Não é o que dizemos, é a forma como o fazemos.
Ulrich sempre foi desajustado no que toca à escolha de palavras e tomadas de posição. Esta não é a primeira.
Deixo-vos com o início de um artigo escrito por aqui que deixou todos em estado de alerta. De Juan José Millas:
Un cañon en el culo.
Si lo hemos entendido bien, y no era fácil porque somos un poco bobos, la economía financiera es a la economía real lo que el señor feudal al siervo, lo que el amo al esclavo, lo que la metrópoli a la colonia, lo que el capitalista manchesteriano al obrero sobreexplotado. La economía financiera es el enemigo de clase de la economía real, con la que juega como un cerdo occidental con el cuerpo de un niño en un burdel asiático.
"Se os sem abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?"
Antes de escrever o que penso (viva a democracia e o morto poder do lápis azul) fui dar uma olhadela e tentar encontrar a etimologia da palavra aguentar (a origem das palavras diz-nos mais do que podemos imaginar).
Vejamos:
Aguentar: deriva da palavra paciência, pati lt., aguentar, sofrer.
Ora, paciência e água benta cada um toma a que quer (não será bem assim - presunção? - mas o blog é meu). Não me parece de todo apropriado ignorar as palavras deste senhor que sempre foi controverso nas suas próprias opiniões, mas também não vou chamar-lhe "grande anormal" e coisas parecidas como os comentadores anónimos no site do Expresso.
Aquilo que me faz vir aqui, fritar o cérebro e chatear alguns de vocês que estavam à espera da minha coscuvelhice diária é (não) ter a certeza de que este senhor se apercebe de que forma afecta a moral dos portugueses: os sem abrigo, os não sem abrigo e os futuros sem abrigo. (Podia falar dos lucros do bpi, da forma como isso afectou a nossa dívida e a confiança dos mercados, mas não o sei fazer e para isso servem os blogues de economia).
"(...) infelizmente encontramos pessoas que são sem abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim, porquê?"
Eu não sei com a certezinha absoluta, mas desconfio.
A mim pode, claro, a minha conta poupança é inexistente, não posso contar com grandes heranças e o futuro do jovens é incerto.
O salário base médio dos portugueses ronda os 840€. Portanto também pode acontecer.
A si? Bem sabemos que os bancos que se financiam na banca viram os salários de alguns dos seus trabalhadores serem reduzidos. É o seu caso. E isso é um facto. Foram 50%. E isso significa em números reais, menos 18 mil euros.
Os números (mesmo para mim) são fáceis de entender.
Não é o que dizemos, é a forma como o fazemos.
Ulrich sempre foi desajustado no que toca à escolha de palavras e tomadas de posição. Esta não é a primeira.
Deixo-vos com o início de um artigo escrito por aqui que deixou todos em estado de alerta. De Juan José Millas:
Un cañon en el culo.
Si lo hemos entendido bien, y no era fácil porque somos un poco bobos, la economía financiera es a la economía real lo que el señor feudal al siervo, lo que el amo al esclavo, lo que la metrópoli a la colonia, lo que el capitalista manchesteriano al obrero sobreexplotado. La economía financiera es el enemigo de clase de la economía real, con la que juega como un cerdo occidental con el cuerpo de un niño en un burdel asiático.
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