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sexta-feira, 15 de março de 2013

Espanha não é melhor, mas não é pior

Já sigo o blogue do Enrique Dans há algum tempo. Já gostava dele, vá, da forma como escreve. Mas depois de ler ISTO, fiquei a gostar ainda mais.

Só um aperitivo: "España no tiene un problema de cutrez, lo que tiene es un problema porque algunos españoles son enormemente mezquinos, tienen “complejo de españoles”, y asumen que el resto de los españoles son como ellos."


quarta-feira, 13 de março de 2013

Paciência

Ora então vamos por partes para que o meu mau feitio não me chateie ainda mais e algo fique por dizer.

Aqui, em Espanha - até podia ser em outro lado qualquer - um mendigo apanhou de tal maneira que teve que ficar no hospital durante um ano.

O grupo de 5 homens que fizeram esta proeza são de ideologia neo-nazi. Até aqui tudo bem, ou tudo mal, mas pelo menos bate a cara com a careta

Hoje, todos se encontraram em tribunal e o advogado de dois deles, um senhor de 90 anos, com idade para ter, vender e dar juízo escreve uma carta ao juiz, com o intuito, de demonstrar que a razão pela qual os jovens fizeram isto é simples: os sem abrigo, pela vida que levam, por não quererem fazer nada, estão sujeitos a repulsa por parte das outras pessoas.
Não satisfeito, e com o tempo de antena que lhe dão, ainda diz que são um cancro, são um cancro da sociedade.

Deixem lá os Justin Biebers do mundo, as crianças tatuadas e, como diz o outro, Senhor, dá-me paciência, porque se me deres força...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Por emigrar, sou mais portuguesa.

Irrita-me o choradinho muito chorado (perdoem-me a tautologia mas às vezes também é necessária) do português emigrante. Já disse aqui que tenho mais pena de quem quer sair e não pode, tenho mais orgulho de quem fica a tentar lutar por um país que agora está débil, cansado e triste.

Leio tudo o que há para ler sobre quem sai do ninho, sobre quem sai da zona de conforto para poder voltar, um dia. Mas escrever, explicar e contar, só o posso fazer sobre mim: e sei, e digo que custa, que os dias - uns melhores, outros piores - se equilibram uns aos outros. Mas em mim, a emigração teve um efeito curioso: além da cultura nova, das pessoas novas, dos portugueses que conheci fora de Portugal, emigrar fez-me gostar ainda mais do meu país - do mar, das tascas baratas que são boas e eu sei que são, das pessoas, das minhas ruas, dos meus sítios.

Quando estamos aí (em Portugal) achamos que os nossos políticos são os piores do mundo, que o nosso povo é o pior do mundo, que somos pequenos, brejeiros e tacanhos. Achamos que nunca vamos conseguir ir a lado nenhum, achamos que o pão, o café e a sopa são "coisas normais". Mas deixem-me dizer que não é bem assim.

Aprendi, desde que estou em Espanha, que os políticos também se podem encaixar nessa categoria dos piores do mundo, que as pessoas aqui, também estão perdidas e que as manifestações também se cantam ao som de Grandôla Vila Morena - no dia 16 de fevereiro milhares de espanhóis cantaram a letra de Zeca Afonso contra os desalojamentos, desde 2008, mais de 350 mil espanhóis receberam uma ordem de despejo, contra o desemprego que já ultrapassa os 25% e contra o orçamento de estado para 2013.

Emigrei porque não tenho espaço em Portugal, cresci aí, sou quem sou porque sou portuguesa e como diz Miguel Esteves de Cardoso "Ser português é ser capaz de se ser igual a com quem se está. Se temos uma virtude e capacidade, é essa. Temos uma costela de todas as carcaças que há no mundo." Quantas vezes não se cruzaram com estrangeiros? Pelas mais variadas razões, não interessa! E que idioma falavam? O deles. Espanhol, Inglês, Italiano, Francês, em Portugal somos primeiro o outro e depois nós.

Por estar aqui, percebi que os espanhóis não nos entendem mesmo. Não é uma questão de preguicite mental ou de territorialismo. Eles não nos percebem e ponto final. Os nossos idiomas derivam do latim, é certo, mas a língua espanhola foi-se simplificando ao longo dos anos, a nossa não. São 12 fonemas portugueses contra 5 espanhóis. E isso é maravilhoso para nós, é o que nos faz ser falantes no mundo. Ainda no outro dia, dizia-me um amigo "como é possível? Vocês escrevem "muito" mas na verdade dizem "muinto". E é verdade.

Eles (os espanhóis) são diferentes de nós em muitas coisas: são um povo mais feliz, menos saudosista, são patrióticos e acreditam que o país é feito deles e para eles. Nós somos mais do género "vai-se andando", andamos às turras uns com os outros sem saber bem para onde devemos ir. Os espanhóis têm o flamenco, cantado, alegre, com roupas coloridas, castanholas e a participação de todos os que ouvem com palmas e sorrisos. Nós temos o fado, triste, sentido, sombrio.

Sou hoje um bocadinho Álvaro de Campos "há sempre razões para emigrar para quem não está de cama".





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Mourinho arrasa em Camp Nou.

Mourinho é o maior e, quem disser o contrário, queria ser tão bom como ele ou sofre de cegueira futebolística.
Começou a ser especial no Futebol Clube do Porto mas quis ser maior. Na sua apresentação no Chelsea em 2004 diz: "se quisesse um trabalho fácil tinha ficado no FC Porto, confortavelmente sentado, com o troféu da champions, Deus e depois eu".

Hoje tem 20 títulos: 6 em Portugal, 6 em Inglaterra, 5 em Itália e 3 em Espanha. 17 nacionais e 3 internacionais.

Ontem voltou a fazer história.
Dois anos e meio depois de chegar ao Real Madrid, José Mourinho, devorou o Barça em Camp Nou.

Foi uma vitória vossa e nossa.
Vossa, dos espanhóis, dos madrilistas.
Nossa porque somos portugueses, porque a besta afinal não é assim tão besta. Nossa porque Cristiano Ronaldo arrasou em casa do Messi.

Com ou sem mau feitio, José Mourinho é líder, ganhador e lutador. Tem capacidade de ver mais longe, colecciona adeptos de um lado e ódios de estimação do outros mas como ele mesmo diz: "é melhor ter inimigos para nunca relaxar" e "nem Jesus Cristo agradava a todos".

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Fora daqui

Hoje Espanha acordou com um vídeo que demonstra o sentimento dos que vivem na união europeia.

Num hospital britânico, uma inglesa berra a duas espanholas "voltem para o vosso país, somos nós que pagamos impostos para vocês poderem estar aqui".

O sentimento de "fora do lugar" e de "injustiça" começa a alargar-se numa realidade social de fronteiras.

Depois da Suíça ameaçar fechar portas com apenas 3% de desemprego, o que se seguirá?





quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

¡Mala ostia!

Como seria de imaginar (isto é condição sine qua non dos emigras) habituei-me a ver as notícias espanholas.
E sei que servem para melhorar o meu castelhano, educar-me (ufa) e perceber que não é só no nosso país (ou ex país, ou ex futuro país) que as coisas más, estranhas e impossíveis acontecem.
Aqui, também dou por mim a perguntar: mas será que não há nada de bom?! Mas em vez de ser depois de ver a cara do Passos Coelho trocamos para o Rajoy.
Vamos então a factos:
- os políticos espanhóis são como em todo o mundo (sem surpresa); por favor vão informar-se sobre o caso Bárcenas e a amnistia fiscal aprovada por nuestros hermanos este ano.
- os espanhóis são tão (ou mais) sensacionalistas como nós.
- o Mourinho é odiado por aqui. Passou de genial a tonto. Mou, como lhe chamam vê a sua reputação pelas ruas da amargura.
- não consigo deixar de me rir e imaginar que todas as "periodistas" gostariam de estar no lugar de Doña Letizia. Hoje, o príncipe (desencantado) faz anos mas não os festeja: a casa real espanhola atravessa um mau momento, o genro do rei (chama-se Iñaki - ora experimentem dizer o nome depois de comerem alguma coisa que sabe mal) tem uns milhõezitos escondidos. Cof cof, tinha!
¡Que mala ostia!

Agora retiro-me, a ver o clássico: Real Madrid vs Barcelona para a copa do rei.
¡hala Mou!