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sexta-feira, 15 de março de 2013

Casas comigo? Falamos em casa

Expliquem-me lá, como se eu fosse muito burra, o que leva um homem a pedir, quem quer que seja, em casamento através de um directo televisivo?
Tenho visto por aí muitos pedidos originais, com bandas sonoras a acompanhar e amigos à mistura, mas isso não quer dizer que esteja bem sorrir perante uma câmara e dizer "casas comigo?".
Foi o que fez o director desportivo do PSG, enquanto estava a ser entrevistado no sorteio dos quartos de final da Liga dos Campeões. Ouviu um "falamos em casa", e a situação ficou esclarecida.


sexta-feira, 8 de março de 2013

As minhas mulheres

Ando já há uns dias a pensar neste texto. O que vou escrever e como vou escrever sem que se torne demasiado feminista e aborrecido.
Então, decidi que vou aproveitar o dia de hoje não para engrandecer os feitos das mulheres no mundo e o que de especial vamos fazendo ano após ano mas para agradecer.

Tenho algumas mulheres na minha vida a quem precisava agradecer por fazerem parte dela. Os motivos obviamente são vários:
- porque fizeram de mim quem eu sou (para o bem e para o mal, por exemplo, esta incontinência verbal devo-a à minha mãe)
- as que me inspiram
- as que não me conhecem mas que, só por eu saber quem são melhoram qualquer coisa em mim
- e ainda, as que me mostram aquilo que eu não vou nunca querer ser.

Não vou enumera-las porque não quero tornar estas palavras numa espécie de elogio público. Da forma como eu vejo as coisas, elas - as minhas mulheres - sabem quem são.

Permitam-me apenas uma excepção, uma pequenina, mas que me importa imenso: a minha irmã Francisca e a minha irmã Maria, por hoje serem mais mulheres do que eu, por terem crescido mais do que eu. Por terem decidido que os dias entre as fraldas, o banho, o cócó, os castigos e as brincadeiras valem a pena.

Bom dia para todas, é dia da mulher mas também é sexta feira.



quarta-feira, 6 de março de 2013

O problema dos anúncios de pensos higiénicos

Os anúncios de pensos higiénicos e de tampões sempre me chatearam um bocadinho. Nunca percebi se são feitos e imaginados por homens ou mulheres mas a verdade é que a histeria das meninas, as cores vivas, os sapatos lindos de morrer e as coreografias milimetricamente ensaiadas conseguem fazer com que eu não compre nem mais um Evax ou um OB. Ah, não, a verdade é que não posso. Nem eu, nem vocês, mulheres. O período é aquele momentozinho irritante do mês, como se fosse o cromo chato com quem temos de levar. Não há como escapar.

Bem, desabafos à parte, enquanto me perdia nas leituras diárias, encontrei um homem que se indignou contra uma marca de pensos higiénicos. Escreveu o que lhe ia na alma:

“Olá, como homem tenho de vos perguntar porque é que nos mentiram durante todos estes anos. Quando era criança, via os vossos anúncios com interesse e, vendo como neste incrível período do mês as mulheres conseguiam desfrutar de tantas coisas, sentia-me um pouco invejoso. Quer dizer, elas andavam de bicicleta, montanhas russas, dançavam, saltavam de para-quedas, porque é que eu não podia desfrutar deste tempo de diversão e de “água azul”? Maldito pénis!! Então arranjei uma namorada, estava muito feliz e mal podia esperar pela chegada desta época maravilhosa do mês… mas vocês mentiram!! Não havia diversão nenhuma, nenhuns deportos radicais, nenhuma água azul sobre abas e nenhuma banda sonora no fundo, oh não não não. Em vez disso, tinha de lutar contra os meus instintos masculinos e contra a vontade de gritar enquanto a minha namorada mudava da pessoa carinhosa, gentil e com um tom de pele normal para a miúda do exorcista com veneno adicional e uma rotação de cabeça de 360 graus.”

A marca, Bodyform, respondeu-lhe, num vídeo que acabou por se tornar viral e que, digo eu, funcionou melhor do que as dezenas de anúncios com líquido azul e sapatos de todas as cores. Vale mesmo a pena ver.



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A crise e o sexo. E as Cinquenta Sombras de Grey

E.L.James não é Kakfa, não é Gabriel García Marquez e não é Saramago. A verdade é que o primeiro volume (dos três que escreveu) pode ser descrito em poucas frases: uma menina tonta, virgem, que conhece o solteirão mais cobiçado do momento. De virgem, a menina Steele, Ana ou Anastacia, passa a ter orgasmos múltiplos, a ter uma "Deusa interior", a gostar de apanhar e estar amarrada. São 500 (e algumas) páginas carregadas de sexo e bondage.

E.L.James não vai ser prémio nobel mas está naquela lista da Times, a que mostra ao mundo as pessoas mais influentes de um determinado ano. As Cinquenta Sombras de Grey foi, segundo a GFK, o livro mais vendido em Potugal em 2012. Está também na lista dos livros proibidos pela Opus Dei, com a classificação LC3 - "pelos seus conteúdos explicítos, a obra contraria a fé ou a moral católica, dirige-se contra a igreja e suas instituições" - lado a lado com Caim e o Evangelho Segundo Jesus Cristo de José Saramago. (www.almudi.org)

Foi este livro que realmente mudou a consciência sexual da nossa sociedade? A Sábado desta semana diz que sim. O Expresso diz que não. Vamos por partes.

Um estudo feito pelo Expresso em 2012 diz que o missionário é a posição preferida pelos portugueses: 38,5%, de norte a sul, prefere o convencional. Muitos são capazes de passar semanas sem relações sexuais e mesmo quando o tema é picante, a culpada é sempre a mesma - a crise. 16% dizem que a falta de dinheiro, de trabalho e as contas para pagar afectaram negativamente a sua vida sexual. A revolução sexual do século XXI está a ser adiada, primeiro o dinheiro, depois a libido.

Já a revista Sábado contrapõe tudo isto. Mas aponta uma causa: o livro As Cinquenta Sombras de Grey. Um inquérito que esteve on-line durante uma semana revela que as portuguesas estão mais apimentadas: no elevador, em locais públicos, de olhos vendados, a três, spanking, amordaçada, são alguns dos fetiches escolhidos pelas que responderam ao inquérito. Os donos das lojas sex shop dizem que a venda de bolas chinesas cresceu 200% e porque não há coincidências, o site britânico netmums.com, fez uma sondagem onde mostra que depois da trilogia a periodicidade com que os casais têm sexo, passou de uma para três vezes por semana.

"Porno para mamãs" para umas e "Viagra feminino sem prescrição" para outras, este livro veio chamar a atenção para um dos temas mais tabu da nossa sociedade.